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Hoje é segunda-feira, 16 de março de 2026

Os elos que chegam — e os que me ajudaram a permanecer

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Um dos elos: a adaptação da câmera fotográfica de Cíntia

Ouça o áudio de "Os elos que chegam — e os que me ajudaram a permanecer", da colunistaCíntia Soares

Nem todo mundo que chega permanece. Mas, na universidade, aprendi que a permanência pode ser construída quando existem elos.

Minha trajetória na UFOP foi marcada por encontros que fizeram a diferença. Em um espaço que me acolheu, foram os elos — amigos, colegas, professores, técnicos administrativos, monitores e ex-alunos — que tornaram possível não apenas estar, mas permanecer. Pessoas que compreenderam que inclusão não é discurso, é prática cotidiana.

No dia a dia acadêmico, a inclusão se materializa em gestos que, à primeira vista, parecem simples, mas que sustentam trajetórias inteiras. Monitores atentos, dispostos a auxiliar na leitura de textos extensos, na organização dos conteúdos e no acompanhamento das disciplinas. Aulas conduzidas com escuta, abertura ao diálogo e respeito aos diferentes tempos de aprendizagem. Textos longos, densos, desafiadores — e a compreensão de que acessibilidade também passa pela mediação do conhecimento.

Mas há momentos em que a inclusão ganha forma concreta. Um desses momentos foi quando Luiz Felipe e Carmem, ex-alunos da universidade, se dispuseram a adaptar minha câmera fotográfica. Um gesto que para eles era simples, mas, que para mim, significava um grande passo. Sim! Porque aquele apoio me fortaleceu como futura profissional, mas sobretudo como ser humano. A adaptação não apenas tornou possível o uso do equipamento, como reafirmou algo essencial: meu olhar também importa, minha produção também é legítima, meu lugar na comunicação é real.

Esses elos me ajudaram a romper barreiras que iam além da estrutura física. Ajudaram a transformar o espaço universitário em um lugar de pertencimento, onde minha presença não precisava ser explicada, apenas vivida. Permanecer foi possível porque houve escuta, criatividade, sensibilidade e compromisso coletivo.

A universidade me ensinou muito, mas também mostrou algo fundamental: inclusão na educação não beneficia apenas pessoas com deficiência. Ela qualifica o ensino, amplia o pensamento crítico e forma profissionais mais atentos à diversidade da sociedade em que vivem. Quando a educação inclui, todos aprendem mais.

Falar de inclusão no ensino superior é falar de projeto de sociedade. É entender que garantir condições de permanência não é favor, é investimento humano, social e cultural. Os elos que encontrei na universidade sustentaram minha trajetória acadêmica e reafirmaram que a educação precisa ser um espaço possível para todos.

Na próxima coluna, quero ampliar essa reflexão olhando para a pós-graduação: pensar a importância de fortalecer e expandir políticas públicas de inclusão para que a permanência continue sendo uma realidade em todos os níveis da educação.

Foto de Cíntia Soares
Jornalista formada pela UFOP, mestranda em Comunicação, pessoa com deficiência e ativista das causas das PCDs. É pesquisadora, diretora e roteirista da série Elos: traduzindo o intraduzível.
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